Em dias atuais muito se preza pela posição social, pelo status ocupado perante as outras pessoas. Ambicionam-se cada vez mais os degraus mais elevados de uma escada de posições que não tem fim. A escalada desenfreada pela busca do poder, e de poder estar por cima e acima dos seus concorrentes é refrão na sinfonia da vida moderna. Não há mais escrúpulos para a tentativa de atingir metas, objetivos que ultrapassam todas as barreiras da ética e do pundonor social. Esta ambição pelo poder de mandar, dar ordens, cobrar tarefas, ser chamado de senhor, chefe, patrão não se restringe somente às classes mais elevadas da sociedade. Até mesmo nas faixas de menor poder aquisitivo é visível o alcance desta tenebrosa pretensão.
Porém isso não é uma doença exclusiva dos nossos dias. Se recorrermos aos livros e registros da história antiga, poderemos observar diversos personagens que, pela busca do poder, ou pela manutenção do mesmo, fizeram terríveis coisas. Desde as fofocas, mentiras, perjuros, injúrias, falsos testemunhos, até às guerras, assassinatos em massa, torturas, decapitações entre outras tantas sandices que a humanidade é capaz de cometer em busca do poder, do mando.
Tudo isso nos parece muito cruel, ou ao menos deveria parecer. Dá-nos a impressão de estarmos à mercê dos sentimentos e procedimentos que nos estão à mostra todos os dias. Dita-nos uma escala de valores que cobra atitudes coerentes com o que se é apresentado. Ou seja: Minta! Pois se você disser a verdade, ficará para trás. Será visto com menosprezo. Invente que o seu colega de trabalho fez algo que ele não fez. Assim você crescerá em virtude dos erros dele... Isso e mais outras tantas coisas que nos são apresentadas.
Mas o que a Palavra de Deus diz a respeito de tudo isso? Se nos dizemos servos de Deus, filhos d’Ele por adoção, se professamos uma fé que é pautada na expressão escrita do pensamento do próprio Deus, cabe-nos consultar o que nos diz o nos Deus.
Não poucas vezes, nós, evangélicos, abrimos nossas bocas e falamos nos púlpitos, nas conversas, nos estudos, nas reuniões, que somos servos de Deus. Porém o que se revela no nosso comportamento cotidiano é algo completamente avesso ao conceito bíblico de ser servo. Falamos, pregamos, lemos, ensinamos, porém não vivemos. Deixamo-nos levar pela ideologia da busca pelo poder, pelo mando.
Atípica não ao nosso vocabulário, mas às nossas atitudes, soa com estranheza aos ouvidos dos descrentes ao ser pronunciada esta palavra. Servo. Aquele que serve. O que presta serviços. O que executa uma obra por mando de outrem. Pessoa submissa. Que obedece a ordens. A Bíblia nos mostra uma maneira diferente de agir. Algo que é tão diferente, tão incomum que é classificado como loucura, por que vai de encontro aos valores desse mundo. Vai de encontro a tudo o que é tido como certo. Vejamos o que nos dizem esses textos:
(I Corintios 1:18) - Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.
(I Corintios 1:21) - Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.
(I Corintios 1:23) - Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.
(I Corintios 1:25) - Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
(I Corintios 2:14) - Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
(I Corintios 3:19) - Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia.:
E a loucura que o mundo não suporta, não entende, não conhece, não pratica é essa:
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(Filipenses 2:3-11) - Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai.
Aleluia! Como podemos encontrar esclarecimento nas palavras do Senhor. Ao contrário da falácia diabólica que diz que é complicado entender a Bíblia, podemos ver com clareza ensinamentos práticos a respeito do nosso procedimento cotidiano.
A primeira palavra que gostaria de destacar é humildade: que se auto-explica no texto de uma maneira maravilhosa. Considerar os outros superiores a si mesmos. Que coisa! Então, eu não preciso mais me preocupar com a ascensão profissional do meu colega de trabalho. Pois eu considero que ele poderá ter algo a me ensinar. Não há por que me importar em submeter-me à autoridade, já que antecipadamente eu reconheço o meu próximo superior. Não há mais razão para uma disputa, muitas vezes irracional.
“... Não atente cada um para o que é propriamente seu...” Claro como o dia. O meu interesse não deve ser exclusivamente nas coisas que irão contribuir para o meu benefício. O bem do meu próximo deve ser também do meu interesse. Devo realmente interessar-me no bem-estar do outro. Sinceramente. Sem trocas. Sem transações. Sem entrelinhas.
Mas isso por quê? Pra quê? Também a explicação nesse caso vem logo em seguida. E é simples. Seguir o exemplo de Cristo. E que grande exemplo Ele nos deixou. Abriu mão de sua posição. Abriu mão de sua glória. Tudo isso em nosso favor. Pensando no nosso bem. E não só isso. O Senhor Poderoso, Deus Altíssimo, desceu do céu para nos servir, para nos ajudar. E não só isso. Submeteu-se às autoridade existentes na época. Foi submisso. Humilde. Até às últimas conseqüências. E aqui vale a pena lembrar de nós mesmos. Que muitas vezes não suportamos nem mesmo as primeiras conseqüências em prol do benefício do nosso próximo. Que muitas vezes recusamos nos sujeitar, submeter às autoridades as quais nos presidem. Deixamos que o orgulho e a prepotência nos dirijam e não permitimos que o exemplo de Cristo nos norteie.
Deus espera de nós a perseguição do exemplo divino. Esse deve ser o nosso alvo nossa meta. E não é fácil. Nossas forças não são suficientes para isso. Temos que buscar no próprio Deus a força para conseguir seguir os passos do mestre. Ser servo.