terça-feira, 18 de setembro de 2007

SER SERVO


Em dias atuais muito se preza pela posição social, pelo status ocupado perante as outras pessoas. Ambicionam-se cada vez mais os degraus mais elevados de uma escada de posições que não tem fim. A escalada desenfreada pela busca do poder, e de poder estar por cima e acima dos seus concorrentes é refrão na sinfonia da vida moderna. Não há mais escrúpulos para a tentativa de atingir metas, objetivos que ultrapassam todas as barreiras da ética e do pundonor social. Esta ambição pelo poder de mandar, dar ordens, cobrar tarefas, ser chamado de senhor, chefe, patrão não se restringe somente às classes mais elevadas da sociedade. Até mesmo nas faixas de menor poder aquisitivo é visível o alcance desta tenebrosa pretensão.
Porém isso não é uma doença exclusiva dos nossos dias. Se recorrermos aos livros e registros da história antiga, poderemos observar diversos personagens que, pela busca do poder, ou pela manutenção do mesmo, fizeram terríveis coisas. Desde as fofocas, mentiras, perjuros, injúrias, falsos testemunhos, até às guerras, assassinatos em massa, torturas, decapitações entre outras tantas sandices que a humanidade é capaz de cometer em busca do poder, do mando.
Tudo isso nos parece muito cruel, ou ao menos deveria parecer. Dá-nos a impressão de estarmos à mercê dos sentimentos e procedimentos que nos estão à mostra todos os dias. Dita-nos uma escala de valores que cobra atitudes coerentes com o que se é apresentado. Ou seja: Minta! Pois se você disser a verdade, ficará para trás. Será visto com menosprezo. Invente que o seu colega de trabalho fez algo que ele não fez. Assim você crescerá em virtude dos erros dele... Isso e mais outras tantas coisas que nos são apresentadas.
Mas o que a Palavra de Deus diz a respeito de tudo isso? Se nos dizemos servos de Deus, filhos d’Ele por adoção, se professamos uma fé que é pautada na expressão escrita do pensamento do próprio Deus, cabe-nos consultar o que nos diz o nos Deus.
Não poucas vezes, nós, evangélicos, abrimos nossas bocas e falamos nos púlpitos, nas conversas, nos estudos, nas reuniões, que somos servos de Deus. Porém o que se revela no nosso comportamento cotidiano é algo completamente avesso ao conceito bíblico de ser servo. Falamos, pregamos, lemos, ensinamos, porém não vivemos. Deixamo-nos levar pela ideologia da busca pelo poder, pelo mando.
Atípica não ao nosso vocabulário, mas às nossas atitudes, soa com estranheza aos ouvidos dos descrentes ao ser pronunciada esta palavra. Servo. Aquele que serve. O que presta serviços. O que executa uma obra por mando de outrem. Pessoa submissa. Que obedece a ordens. A Bíblia nos mostra uma maneira diferente de agir. Algo que é tão diferente, tão incomum que é classificado como loucura, por que vai de encontro aos valores desse mundo. Vai de encontro a tudo o que é tido como certo. Vejamos o que nos dizem esses textos:

(I Corintios 1:18) - Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.
(I Corintios 1:21) - Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.
(I Corintios 1:23) - Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.
(I Corintios 1:25) - Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
(I Corintios 2:14) - Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
(I Corintios 3:19) - Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia.:
E a loucura que o mundo não suporta, não entende, não conhece, não pratica é essa:
.
(Filipenses 2:3-11) - Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai.

Aleluia! Como podemos encontrar esclarecimento nas palavras do Senhor. Ao contrário da falácia diabólica que diz que é complicado entender a Bíblia, podemos ver com clareza ensinamentos práticos a respeito do nosso procedimento cotidiano.
A primeira palavra que gostaria de destacar é humildade: que se auto-explica no texto de uma maneira maravilhosa. Considerar os outros superiores a si mesmos. Que coisa! Então, eu não preciso mais me preocupar com a ascensão profissional do meu colega de trabalho. Pois eu considero que ele poderá ter algo a me ensinar. Não há por que me importar em submeter-me à autoridade, já que antecipadamente eu reconheço o meu próximo superior. Não há mais razão para uma disputa, muitas vezes irracional.
“... Não atente cada um para o que é propriamente seu...” Claro como o dia. O meu interesse não deve ser exclusivamente nas coisas que irão contribuir para o meu benefício. O bem do meu próximo deve ser também do meu interesse. Devo realmente interessar-me no bem-estar do outro. Sinceramente. Sem trocas. Sem transações. Sem entrelinhas.
Mas isso por quê? Pra quê? Também a explicação nesse caso vem logo em seguida. E é simples. Seguir o exemplo de Cristo. E que grande exemplo Ele nos deixou. Abriu mão de sua posição. Abriu mão de sua glória. Tudo isso em nosso favor. Pensando no nosso bem. E não só isso. O Senhor Poderoso, Deus Altíssimo, desceu do céu para nos servir, para nos ajudar. E não só isso. Submeteu-se às autoridade existentes na época. Foi submisso. Humilde. Até às últimas conseqüências. E aqui vale a pena lembrar de nós mesmos. Que muitas vezes não suportamos nem mesmo as primeiras conseqüências em prol do benefício do nosso próximo. Que muitas vezes recusamos nos sujeitar, submeter às autoridades as quais nos presidem. Deixamos que o orgulho e a prepotência nos dirijam e não permitimos que o exemplo de Cristo nos norteie.
Deus espera de nós a perseguição do exemplo divino. Esse deve ser o nosso alvo nossa meta. E não é fácil. Nossas forças não são suficientes para isso. Temos que buscar no próprio Deus a força para conseguir seguir os passos do mestre. Ser servo.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

ADORAÇÃO E CONTENTAMENTO
A vida atual muito é responsável por alguns sentimentos que permeiam a nossa alma। Entre eles os sentimentos de frustração e descontentamento। Encontramos no dicionário da língua portuguesa a seguinte definição:

FRUSTRAÇÃO - do Lat. Frustrare - v. tr., iludir a expectativa de; defraudar; enganar; baldar; inutilizar;

DESCONTENAMENTO - s. m., - falta de contentamento; insatisfação; dissabor; aborrecimento; desgosto.

Gostaria de dar destaque a definição que diz: iludir a expectativa de. O sentimento de frustração muito tem a ver com a expectativa que criamos ou idealizamos a respeito de alguém ou alguma coisa. Fantasiamos sentimentos, respostas, comportamentos, humor, enfim, muitas vezes criamos uma pessoa que não existe, criamos uma situação que não existe, entramos num mundo de fantasia. Enchemos nosso coração de expectativas que certamente não se realizarão. Daí chega a frustração. Não acontece o que planejamos; a pessoa não é o que pensávamos; a situação não progride como queríamos. Frustração. Desejo não realizado. Não era do jeito que queríamos. O que vem depois? Descontentamento, insatisfação.
O que temos não é mais o suficiente. O amigo não é mais tão legal. O salário torna-se insuficiente, a casa já não é tão confortável, a igreja é muito distante, a televisão é pequena, e mais uma porção de coisas que antes eram boas, mas agora não mais nos satisfazem. Queremos mais, queremos coisas diferentes, amigos melhores, carros mais modernos, queremos, queremos, queremos...
Queremos tanto que esquecemos de agradecer. Esquecemos que tudo o que temos vem da inefável graça de Deus que nos alcança e nos abraça. Falta-nos um coração contente, feliz, grato. Mas, o que isso tem a ver com adoração?
Dentre outras coisas se entende por adoração agradecimento. O coração adorador responde a Deus em gratidão pelo que Ele é, fez e fará na nossa vida. Quando passamos a perceber que tudo o que temos vem das mãos do Senhor, encontramos razões infindáveis de agradecimento, e conseqüentemente, de adoração. Diz assim uma música que cantamos na nossa Igreja:

Agradecer pelo amor, pelo perdão que concedeu;
Agradecer pela família, e a grande família de Deus;
Agradecer pela saúde, pois Ele dá força aos filhos seus;
Agradecer por sua graça, pelo favor do Grande Deus
”.

E esses são só alguns motivos de agradecimento. É só parar pra pensar que podemos encontrar muitos outros. O autor do Salmo 145 exprime bem o que passa por um coração adorador, contente e grato. Veja:

1 Eu te exaltarei, ó Deus, rei meu; e bendirei o teu nome pelos séculos dos séculos.
2 Cada dia te bendirei, e louvarei o teu nome pelos séculos dos séculos.
3 Grande é o Senhor, e mui digno de ser louvado; e a sua grandeza é insondável.
4 Uma geração louvará as tuas obras à outra geração, e anunciará os teus atos poderosos.
5 Na magnificência gloriosa da tua majestade e nas tuas obras maravilhosas meditarei;
6 falar-se-á do poder dos teus feitos tremendos, e eu contarei a tua grandeza.
7 Publicarão a memória da tua grande bondade, e com júbilo celebrarão a tua justiça.
8 Bondoso e compassivo é o Senhor, tardio em irar-se, e de grande benignidade.
9 O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas obras.
10 Todas as tuas obras te louvarão, ó Senhor, e os teus santos te bendirão.
11 Falarão da glória do teu reino, e relatarão o teu poder,
12 para que façam saber aos filhos dos homens os teus feitos poderosos e a glória do esplendor do teu reino.
13 O teu reino é um reino eterno; o teu domínio dura por todas as gerações.
14 O Senhor sustém a todos os que estão a cair, e levanta a todos os que estão abatidos.
15 Os olhos de todos esperam em ti, e tu lhes dás o seu mantimento a seu tempo;
16 abres a mão, e satisfazes o desejo de todos os viventes.
17 Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, e benigno em todas as suas obras.
18 Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade.
19 Ele cumpre o desejo dos que o temem; ouve o seu clamor, e os salva.
20 O Senhor preserva todos os que o amam, mas a todos os ímpios ele os destrói.
21 Publique a minha boca o louvor do Senhor; e bendiga toda a carne o seu santo nome para todo o sempre.

Um coração cheio de contentamento tem razões de sobra pra adorar ao Senhor. Por não faltam motivos para agradecer. A graça do Senhor tem-nos alcançado sobremaneira. O que falta é pedir ao próprio Deus que, através do Espírito Santo, abra os nossos lhos para podermos enxergar as maravilhas que Ele mesmo tem feito nas nossas vidas.


Por Luiz Eduardo Pereira Coelho

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

NÃO HÁ BARREIRAS...
Quando ainda tenro na idade (alguns aos atrás), lá na Igreja Batista do Henrique Jorge, em Fortaleza, o único instrumento musical da igreja era um piano de armário. Não muito novo, meio desafinado, mas era só ele e um ou outro violão que se atrevia a aparecer por lá. Não tinha, e na verdade nem podia ter, outro instrumento que aparentasse mundanismo. Até as palmas eram mal vistas... Bateria, percussão, guitarra, baixo, nem de brincadeira.
Eu, mesmo muito jovem, pude presenciar o início de uma mudança na visão da igreja. Meu irmão, que era quem dirigia o louvor da igreja, teve a iniciativa de comprar uma guitarra pra igreja. Branca, de aparência solene... Sem muito estardalhaço, ela ficou. Depois a coisa foi melhorando... Chegou uma bateria, um baixo... Com eles as palmas... muito bom.
Essas lembranças, juntas com as experiências, levam-me a meditar sobre os limites que nós mesmos colocamos no nosso modo de adorar ao Senhor. Criamos barreiras quase intransponíveis, num preconceito desnecessário, que por vezes até nos deixam alheios ao ambiente de adoração na congregação. Colocamos a adoração num escantilhão que só cabe nosso próprio pré conceito (separado mesmo pra poder entender melhor...) Não quero estigmatizar nenhum modelo comportamental durante o período de culto nas igrejas. Além do que, adoração é resposta individual...
Mas é resposta. Ação...
Entendo que o que vale a pena pensar é qual a intenção do nosso coração quando vamos à igreja. Entramos, sentamos, cantamos, oramos, levantamos e sentamos várias vezes... Sim, mas... e ai? O que isso quer dizer? O que isso representa? Qual a intenção? Quando nos propomos a ir para a igreja devemos lembrar que o motivo de tudo que acontece lá é (ou devia ser) o Senhor Jesus Cristo. Tudo é pra honra e glória do nome dEle. O motivo é Ele. O culto deve ser prestado ao Senhor. Corações e pensamentos devem estar todos conectados em banda larga na presença do Senhor Jesus. Quando isso acontece... Não há barreira para a adoração. Como costumo dizer na Igreja Batista do Caminho, sinta-se a vontade, na presença do Senhor há liberdade. Você pode levantar as suas mão, dar glória, bater palmas, cantar, ficar quieto, se derramar na presença do Deus todo poderoso. Se a sua intenção é adorar a Deus... Há liberdade, não há barreiras

domingo, 2 de setembro de 2007

Vida de Adorador

Muito se tem evidenciado atualmente a figura do adorador. Dependendo da denominação variam tanto os títulos como as funções. Verdade é que seja qual for a denominação, há pessoas que servem na área do louvor e da adoração. Vocalistas, instrumentistas, conselheiros, maestros, pessoal da logística, técnicos de áudio, líderes e liderados, enfim, dependendo da estrutura da igreja um grande número de pessoas se envolve na preparação e execução de atividades relativas ao louvor e adoração.
Todas estas pessoas, a princípio, participam com o intuito de servir para o engrandecimento e crescimento do reino de Deus. E realmente há no Ministério da Adoração fator de grande importância no crescimento Reino. Através das músicas, poesias, coreografias, peças teatrais, filmes, multidões têm sido alcançadas, somando-se ao Povo de Deus espalhado pela face da Terra. Figura que sempre se destaca é o ministro de louvor. É ele quem está à frente, liderando o grupo e, geralmente é o vocalista principal.
Grande responsabilidade cai sobre seus ombros. Pois além de ser figura conhecida e reconhecida por todos, passa a ser uma espécie de referencial. Responsabilidade esta que é compartilhada por todos que são vistos durante as participações do ministério de louvor. Sejam músicos ou vocalista, todos passam a ser observados mais atentamente. Esta exposição trás algumas conseqüências que merecem uma consideração sobre o assunto.
Estar exposto significa, entre outras coisas, ser vitrine. As pessoas olham pra você minuciosamente. Seu modo de falar, de gesticular, suas roupas, seu cabelo, seu vocabulário, sua vida social, amigos, se casado, esposo, esposa, filhos, família, emprego. Não há espaço para esconder, fingir, fugir, evitar... Você está ali e será visto. Posição semelhante é ocupada por Pop Stars, atores, cantores, celebridades. E é aí onde mora o perigo.
Pop Stars, atores, cantores, celebridades assumem o posição de ídolos, são venerados, são imitados, as pessoas se desesperam por eles, vão aos shows por causa deles. O ofício deles é este: fazer apresentações, serem aplaudidos; eles mesmos são o objetivo de tudo o que acontece. Tudo é feito para eles. E são grandes as exigências para estas apresentações, além do pagamento por elas, que não é, diga-sede passagem, qualquer merreca. Verdadeiras fortunas são pagas.
Adoradores do Deus Altíssimo que se deixam levar por esta semelhança tão distante de posição caem num terrível e antigo abismo. O de querer o lugar do Altíssimo. Foi assim com lúcifer. E assim da mesma maneira satanás, hoje, tenta destruir os adoradores do Senhor. Oferecendo para eles glória, honra reconhecimento, poder, tudo o que enche os olhos da alma, quando abandonam a posição de servo pra senhor, de adorador para objeto de adoração, quando deixam de se esconder por trás da cruz de Cristo.
Devemos nos lembrar que somente ao Senhor pertencem a Honra, o Poder e a Glória, e que somente Ele é digno de ser louvado, adorado e exaltado. Ele é Deus, nós somos seus servos, adoradores. Optamos por isso sabedores que Ele é o Deus amoroso, bondoso, misericordioso, gracioso, e que vale a pena confiar nele. Somos servos, gratos pelo que já fez por nós, gratos ao Deus doador da nossa própria vida, gratos por que Ele cuida de nós carinhosamente, em todos os detalhes. Ele é Deus.

O grande desafio buscar e levar uma vida de adorador. É ser humilde, grato, ter um coração contente, é levantar a bandeira de que somos servos, somos adoradores e não objeto de adoração. É assumir a postura de que adoradores não se apresentam, e sim, prestam um culto a Deus.
Não aceitar e repudiar qualquer coisa desta natureza é de grande valia nesta luta.



Luiz Eduardo Pereira Coelho