Tenho saudade dos tempos de criança, quando eu e minha família congregávamos na Igreja Batista em Henrique Jorge. E embora as lembranças possam ser um pouco frágeis, há muitos fatos que são tão nítidos em minha mente como se tivessem acontecido há poucos instantes.
Lembro-me com alegria da classe de crianças e juniores, onde eu aprendi tantos corinhos e versículos bíblicos. Das memorizações dos livros da bíblia, das gincanas de perguntas e dos corais infantis. Que tempos bons!
Com certeza as lembranças musicais são as mais fortes. Naquele tempo (nem tanto tempo assim) as pessoas, aos meus olhos de menino, eram mais dinâmicas e tinha mais criatividade. Cantávamos com entusiasmo hinos do Cantor Cristão e corinhos. E não creio que a minha idade me enganou, mas a música tinha mais vida. Trazia consigo o gosto do servir. Os hinos eram ardentemente cantados, falavam do porvir, da alegria cristã, do compromisso, da exaltação a Deus, enfim, ricos teologicamente e musicalmente. Lindas melodias em marcha, valsa, ternários e quaternários, soprano, contralto, baixo e tenor. Os que sabiam as vozes dividiam cantavam durante os cultos cada um na sua voz. Coisa linda.
Nessas lembranças lembro ainda de meus pais cantando. Minha mãe com uma voz angelical, conhecia a maioria dos hinos, e meu pai com aquele vozeirão, forte; afinado na música e na adoração. Lindos hinos. Lindas vozes. Lindo templo. É templo mesmo. Aquele templo de Henrique Jorge era lindo. Combogós na frente, piso em preto e branco, enormes bancos de madeira e o púlpito era revestido de pedra. Ali, ouvi pregações do Pr. João Bezerra Júnior, de saudosa lembrança. Ali me converti e fui batizado. Lindo tempo.
Hoje as pessoas não querem mais igrejas reunidas em templos. Não querem mais cantar hinos. Não fazem mais gincanas. Acham a Escola Bíblica Dominical arcaica. Nem se lembram do que é EBF. Tudo tem que ter marketing, vídeo promocional, e musiquinha. Hoje as pessoas me parecem sem lembranças. Sem raízes. Creio que esqueceram de como cresceram. De como sua base foi fundada. Creio que as pessoas têm-se esquecido da pureza infantil. São tantos métodos, formas, e descobertas de novidades que esqueceram a simplicidade das igrejas da nossa infância. Novidades antigas.
Luiz Eduardo Coelho
